segunda-feira, 13 de junho de 2011

Alice Madness Returns: todo o terror do País das Maravilhas

Em 2000 os gamers ficaram impressionados com a versão macabra e madura que American McGee havia criado para a obra de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas – American McGee’s Alice. O game trazia uma continuação para a segunda aventura da menininha abusada, Através do espelho, em que um incêndio acidental havia tirado a vida de seus pais, deixando-a como única sobrevivente da família. Profundamente traumatizada e isolada da realidade, Alice é internada num manicômio para se recuperar. Em seu isolamento, Alice se vê novamente no País das Maravilhas, só que desta vez o lugar está em ruínas – a insanidade da menina molda o mundo fantástico e o faz se tornar grotesco e inóspito – governado pela autoritária Rainha de Copas. Por causa desse cenário desolador, o Coelho branco pede a ajuda de Alice para salvar o País das Maravilhas e, no processo, sua própria sanidade.
No final do primeiro game, vemos Alice sendo liberada do Sanatório Rutledge depois de se recuperar. “Alice: Madness Returns” se passa 11 anos depois do primeiro jogo – exatamente o tempo que levou para terminar o segundo, aliás – e mostra Alice mais velha vivendo num orfanato e sendo aconselhada por um psiquiatra, pois o trauma da perda súbita da família ainda a atormenta constantemente. Mesmo com a mente mais tranquila, memórias reprimidas começam a aflorar e indicar para a garota que a morte dos pais teria sido tudo menos acidental. Atormentada por alucinações, Alice busca refúgio novamente no País das Maravilhas.


O mundo está novamente caótico, refletindo o estado emocional da pobrezinha, e cabe outra vez a Alice salvar a terra maluca e a si mesma, desta vez tentando alcançar informações mais profundas sobre a verdadeira causa da morte de seus pais.
O jogo – conforme vídeos de gameplay divulgados recentemente – é em primeiro lugar uma extrapolação de seu antecessor. A movimentação em 3D é mais fluida e precisa e os segmentos de plataforma parecem menos truncados – mas nem um pouco menos difíceis. As batalhas ganham um destaque maravilhoso – segue a variedade de armas e o combate violento contra as criaturas bizarras do País das Maravilhas, o que muda agora é a escala da coisa e o dinamismo. Os inimigos tem animações vivas e convincentes e ataques rápidos e constantes, a troca de armas se faz constantemente necessária para arcar com as diversas habilidades dos algozes de Alice.

A ambientação é em geral maravilhosa. O mundo é extremamente vivo e vibrante – o uso de cores ameaça deixar a direção de arte do filme Alice de Tim Burton envergonhada – e cada ação da menina é colocada no clima geral da coisa. Como armas, temos um moedor de pimenta metralhadora, uma chaleira lança-granadas (na verdade uma gosma verde, mas age de maneira semelhante a lança-granadas de outros jogos), um cavalinho de pau que funciona como uma maça poderosa e a – já tradicional – vorpal blade. Ao esquivar-se, Alice deixa um rastro de borboletas negras, em certos segmentos, altera seu tamanho para conseguir transitar entre plataformas numeradas que evocam descaradamente o jogo de amarelinha.
Os personagens famosos dos livros de Carrol voltam a aparecer com suas feições distorcidas. Quem jogou o primeiro jogo pode se preparar para mais muita ladainha do Gato Risonho e muitas batalhas contra soldados cartas infinitamente mais horrendos. No teaser do começo deste post, vemos a cara convidativa do Chapeleiro Maluco – aposto que muita gente vai ficar longe do chá por um tempo.
Tecnicamente, os gráficos estão maravilhosos. Embora não seja feita nenhuma revolução pixeliana desnecessária, a coerência do projeto visual do jogo deixa muitos filmes no chinelo. Tanto a Londres suja e triste quanto o mundo demente do País das Maravilhas estão visualmente lindos e evocam climas muito bem construídos. Os modelos dos inimigos são assustadores e brutais, sem perder o ar de fantasia colorida e Alice ela mesma está linda – “gatíssima” é a palavra que vem à mente, mas pode soar meio pervert.

Enfim, estamos ansiosos para pular e lutar por um País das Maravilhas feito em detalhes para impressionar e trazer à tona todo tipo de sensação e ideia. Esquivar de ataques de monstros-carta grotescos reduzindo nosso tamanho? Confere. Metralhar chaleiras infernais com um moedor de pimenta? Confere. Um roteiro bem construído como o do primeiro game, e incrementado pelo ótimo esquema de recolhermos memórias no decorrer do jogo – que nos ajudarão a entender a verdade por trás da morte dos pais da garota – era o mínimo que podíamos esperar do criador, McGee.
Aliás, American McGee – sim, o nome dele é “americano”, aparentemente os pais dele eram meio hipongos – afirmou em uma apresentação na GDC (Game Developers Conference) que cada inimigo do jogo será um quebra-cabeça por si só, exigindo combinações entre as quatro armas e as várias habilidades do jogo para serem vencidos.


Tudo indica que será um jogo lindo, ágil, divertido e inteligente. Parece bom demais pra ser verdade né não? Bom, não se você confiar no pedigree do primeiro game, que é um clássico absoluto e cativa fãs de Lewis Carrol que nunca quiseram saber de games na vida.
O jogo tem data de lançamento marcada para 14 de Junho e sai para Playstation3, Xbox360 e PC. Enquanto não vem, curtam a avalanche de vídeos que nós disponibilizamos, comente e espere com A Horda.
Por último, mas de maneira nenhuma menos importante, confiram aqui os últimos vídeos demonstrando a jogabilidade dessa maravilha e uma galeria com as melhores imagens divulgadas até agora:



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Clique na pagina 5 para visualizar outras posts /\